Síria

QUEM É A MENINA SÍRIA QUE ESTÁ SENDO COMPARADA A ANNE FRANK

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Myriam Rawick e Anne Frank estão separadas por mais de 70 anos na História, mas as duas tem muito em comum.

As meninas registraram em diários, os horrores das guerras que viveram. Anne, os horrores da Segunda Guerra Mundial e Myriam, os da Guerra Civil Síria.

Myriam Rawick tem treze anos e começou a escrever o diário aos seis. Ela registrou, de forma simples e verdadeira, o que acontecia na sua cidade natal, Alepo.

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Myriam Rawick tem 13 anos e escreveu um diário contando os horrores da guerra da Síria. Foto: Divulgação

A ideia partiu de sua mãe, Antonia. Ela incentivou a menina a escrever tudo o que estava vivendo para que depois pudesse reler e se lembrar.

Um jornalista francês chamado Phelippe Lobjois, viu os registros da menina e ficou impressionado. Ele estava na Síria para acompanhar a vida dos moradores que tiveram que deixar suas cidades, quando Antonia lhe mostrou o diário.



Phelippe prontamente ajudou a menina a escrever o livro “O Diário de Myriam”, publicado em português pela editora Dark Side (R$39,90).

“Para mim, este livro é sobre sobrevivência. A história de Myriam é muito parecida com a de outros países em guerra. As crianças nunca deveriam se envolver em guerras”, disse ele em entrevista ao UOL.

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O jornalista francês Phelippe Lobjois. Foto: Divulgação

No livro, Myriam descreve com detalhes o dia a dia de uma família cristã em meio ao sofrimento da guerra civil. Os registros foram feitos entre novembro de 2011 e março de 2017.

“O Diário de Myriam” ganhou o Prêmio L’Express-BFMTV na categoria Ensaios. A votação foi feita por leitores que se encantaram com a inocência e sensibilidade da pequena escritora.

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“O Diário de Myriam” ganhou o Prêmio L’Express na categoria Ensaios. Foto: Joel Saget/AFP

Em dos trechos do livro, Myriam conta sobre a morte de um primo:

“Hoje, o tio Rami veio em casa. Ele parecia triste, tinha os olhos bem vermelhos. Mamãe me disse para ir até o quarto de Jedo e Tita com Joelle para deixá-los conversar. Mas eu me escondi no corredor para poder ouvir. O tio Rami disse que o primo Abu tinha sido morto na cidade velha. Ele e seu grupo de soldados estava atirando para proteger a cidadela. Mas uma bomba caiu em cima deles. O primo Abu tinha 19 anos. Mamãe disse que eles puderam, ao menos, buscar o corpo e que poderemos enterrá-lo”.

Em outro trecho descreve o horror de um ataque aéreo:

“De repente, ouvimos o assobio de um míssil que se chocou bem atrás de nosso prédio e explodiu. Esperamos, pensando que aquele seria o único. Mamãe abriu imediatamente as janelas para que elas não explodissem. Eu estava descalça quando o segundo míssil caiu no prédio bem ao lado do nosso. Isso fez um estrondo assustador, como se um raio tivesse caído em cima de nós. Mas bem pior”.

A Guerra da Síria já deixou mais de 400 mil mortos e 5 milhões de refugiados. Em março, a ONU pediu a remoção de doentes e feridos que estavam localizados na Guta Oriental.